De Barra do Garças para o mundo: Jânio Varjão mira sonho olímpico e segue os passos de Professor Sivirino
Uma das grandes apostas do atletismo de Barra do Garças, atleta trabalha para chegar aos Jogos Olímpicos
O sonho é grande e Jânio Varjão não faz questão de diminuí-lo para que pareça mais fácil: quer chegar aos Jogos Olímpicos e conquistar uma medalha. Aos 23 anos, o jovem nascido em Aragarças (GO), mas formado esportivamente em Barra do Garças (MT), trabalha diariamente para transformar essa ambição em resultado. Entre treinos, competições e quilômetros percorridos, carrega uma história que começou ainda na escola e encontrou em Professor Sivirino muito mais do que um treinador: um mentor, uma referência e alguém que enxergou cedo até onde aquele garoto poderia chegar.
Jânio tinha 14 anos quando Lázaro, uma espécie de olheiro ligado ao projeto de Professor Sivirino, percebeu sua facilidade para correr. Na época, o adolescente queria estudar, brincar e estar com os amigos. O atletismo de alto rendimento não fazia parte dos planos. Foi durante uma corrida de oito quilômetros que a história começou a mudar. Professor Sivirino acompanhou o desempenho do garoto, observou seu tempo e identificou ali um potencial que precisava ser desenvolvido. Lázaro, que fez essa primeira ponte e hoje é um dos grandes amigos de Jânio, ajudou a aproximá-los.
Professor Sivirino então o levou para o projeto em Barra do Garças. Vieram a Casa do Atleta, a rotina dividida entre escola e treinamento, as primeiras viagens e as competições brasileiras. E foi ali, enquanto o talento começava a ser lapidado, que também começou a nascer um sonho cada vez maior. O menino que nunca havia viajado para longe descobriu, por meio do esporte, novas cidades, novas pistas e, principalmente, novas possibilidades para a própria vida.

Hoje, aquele sonho já é acompanhado por uma trajetória de realizações. Jânio avançou para o alto rendimento, disputou grandes competições e chegou muito perto de buscar a classificação olímpica nos 800 metros em 2024, quando uma lesão interrompeu a tentativa. O episódio não diminuiu o objetivo. Ao contrário, a Olimpíada continua no horizonte e ele trabalha para que as conquistas acumuladas até aqui sejam parte de uma história ainda maior.
Professor Sivirino acompanha essa construção desde os primeiros passos. Com o passar dos anos, a relação ultrapassou a de treinador e atleta. Tornou-se mentor e exemplo para Jânio, inclusive na maneira de compreender o papel do esporte na formação de uma pessoa. “Ele fala uma coisa que toda vez eu concordo: toda pessoa que entra no nosso projeto sai um pouquinho melhor. A gente vai melhorando a cada ano, como pessoa, como atleta”, conta.
Agora, a busca pelo próximo nível levou Jânio ao Rio de Janeiro, justamente ao ambiente onde Professor Sivirino viveu parte da própria formação. Estar ali significa conhecer as raízes da metodologia que, anos depois, chegaria a Barra do Garças e ajudaria a formar o atleta que ele se tornou. “Estou vendo onde o meu projeto nasceu. A metodologia que eu sigo e uso é essa daqui”, afirma.

E há algo simbólico nesse encontro entre passado e futuro. Enquanto percorre os caminhos que um dia ajudaram a formar seu mentor, Jânio trabalha para construir os seus. No futuro, pretende cursar Educação Física e tornar-se treinador, devolvendo a outros jovens parte da oportunidade que recebeu. Mas, antes de ocupar o outro lado da pista, existe uma missão que ainda movimenta seus dias: “Eu quero ir para a Olimpíada. E não só ir. Quero ganhar uma medalha. Eu gosto de ouro”.
De Aragarças para Barra do Garças, de Barra para as grandes pistas e, agora, em busca do maior palco do esporte. O garoto cujo potencial Professor Sivirino enxergou aos 14 anos cresceu, acumulou conquistas e transformou uma oportunidade em projeto de vida. Ainda há muito caminho pela frente. E Jânio trabalha para que ele leve cada vez mais longe: de Barra do Garças para o mundo.

