Reviravolta no Parque São Jorge: Corinthians retoma conversas e Memphis Depay pode ficar
Pressionado por risco de dívida de até R$ 180 milhões, protestos da torcida e apelo de Fernando Diniz, presidente Osmar Stabile recua e diretoria reabre negociação com o atacante holandês
A novela envolvendo o Corinthians e o atacante holandês Memphis Depay ganhou um novo e surpreendente capítulo. Após a diretoria alvinegra, liderada pelo presidente Osmar Stabile, encerrar as tratativas de renovação de forma abrupta alegando proteção à saúde financeira do clube, as partes voltaram a conversar. O que começou nos últimos dias como uma tentativa da diretoria de repactuar pendências financeiras acabou abrindo caminho para uma possível retomada na assinatura do vínculo do camisa 10.
O principal estopim para essa mudança de rota é o assustador passivo financeiro que a saída conturbada pode gerar aos cofres alvinegros. Atualmente, o Timão reconhece uma dívida de cerca de R$ 77 milhões com o jogador, referente a bonificações não pagas, juros e multas. No entanto, o estafe de Memphis avalia acionar a Justiça para cobrar também cerca de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 103 milhões) pelo contrato de duas temporadas que foi acordado entre as partes e não assinado, elevando o montante total para R$ 180 milhões.
Esse cenário jurídico drástico acendeu o alerta vermelho no Parque São Jorge. O clube entende que uma eventual cobrança na Fifa poderia resultar em um novo “transfer ban”, impedindo o Corinthians de registrar atletas. Para evitar a execução dessa dívida astronômica à vista, os departamentos financeiro e jurídico procuraram os representantes do atleta. Durante essas conversas para evitar o litígio, reacendeu-se a possibilidade de um acordo para a permanência do jogador.
Para que a renovação finalmente saia do papel, o Corinthians impõe novas condições austeras. O clube aceitaria assinar com o atacante desde que o formato do contrato contemple apenas salários e direitos de imagem, sem bonificações adicionais ou penduricalhos. Do outro lado, Memphis, que já havia aceitado reduzir pedidas e congelar dívidas para viabilizar o acordo anterior, segue disposto a ficar no clube pelo qual criou forte identificação. Contudo, seu estafe deve adotar uma postura menos maleável nas negociações após o recuo inicial do presidente.
Nos bastidores, a pressão sobre Osmar Stabile é gigantesca e não vem apenas da ameaça de processo. O técnico Fernando Diniz é um dos maiores entusiastas da permanência do holandês e lamentou publicamente a não assinatura do acordo, afirmando que a renovação estava “fechada” para a comissão técnica. O comandante considera Memphis, que soma 20 gols e 15 assistências em 79 partidas pelo clube, uma peça fundamental e decisiva para os desafios da equipe na temporada.
Além do respaldo do departamento de futebol, a operação já contava com forte viabilidade comercial estruturada pelo departamento de marketing. Patrocinadoras que já estampam suas marcas na camisa do Timão, como a Esportes da Sorte e a Fatal Fans, possuíam acordos encaminhados para bancar parte dos gastos do novo contrato. A decisão de recuar na assinatura frustrou essas composições e gerou grande revolta entre torcedores, que levantaram a hashtag #ForaStabile nas redes sociais.
Agora, o Corinthians corre contra o tempo para tentar costurar uma trégua que evite um colapso financeiro e mantenha o craque no elenco. Livre no mercado e com seu nome já especulado em clubes como Vasco e Flamengo, Memphis Depay aguarda os próximos passos dessa renegociação. Caso a diretoria e os representantes do atleta cheguem a um novo consenso financeiro, a tendência é que a decisão do presidente seja revertida e o holandês continue escrevendo sua história no futebol brasileiro.

