Da escola às pistas: projeto em Barra do Garças já formou mais de 5 mil crianças e jovens pelo esporte
Há 25 anos, o Barra do Garças Associação de Atletismo (BGAAT) une inclusão, esporte de alto rendimento e educação na transformação de novas histórias de vida
Aos 12 anos, numa aula de Educação Física em uma escola pública de Barra do Garças, Francielly da Silva Marcondes foi descoberta por um professor que viu nela talento para o atletismo. Ele a apresentou ao trabalho do Professor Sivirino na Vila Olímpica, com uma regra que a acompanharia por anos: os estudos sempre em primeiro lugar.
Hoje, aos 23, Francielly é formada em Educação Física pela UFMT, tem 16 medalhas em Campeonatos Brasileiros, quatro delas de ouro, e já defendeu quatro vezes a Seleção Brasileira.
Sua trajetória resume a proposta da Barra do Garças Associação de Atletismo (BGAAT): em 25 anos, o projeto já passou por mais de 5 mil crianças e adolescentes e hoje reúne cerca de 300 participantes, unindo educação, inclusão e esporte de alto rendimento.
“Sempre defendemos que a educação vem primeiro. Queremos revelar bons atletas, mas, acima de tudo, que essas crianças estudem e enxerguem caminhos possíveis para o futuro. O esporte ensina disciplina e abre portas, mas é a educação que dá condições para elas seguirem adiante”, diz Professor Sivirino, ex-atleta e idealizador da BGAAT.
As atividades começam cedo: atletismo a partir dos cinco anos e, na adolescência, também futebol na Vila Olímpica, sempre com acompanhamento técnico e atenção à vida escolar. Foi essa rotina, escola de manhã, treino à tarde, que moldou Francielly.
“Não foi só conciliar escola e treino. Foi aprender, desde cedo, disciplina, responsabilidade e objetivos. O lema do Professor Sivirino era educação em primeiro lugar, e isso fez toda a diferença”, conta a atleta.
Estudos e resultados lado a lado
Na UFMT, Francielly seguiu treinando enquanto cursava a faculdade, e os resultados vieram junto. Em 2026, venceu os 10 mil metros na Copa de Meio-Fundo e Fundo, em São Paulo, somou vitórias em provas de rua pelo Mato Grosso e ficou em segundo lugar nos 5 km da etapa Centro-Oeste, garantindo vaga no Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro.
“Educação, inclusão e esporte de alto rendimento não são caminhos separados, eles caminham juntos. O esporte me ensinou a persistir e a acreditar em mim; a educação abriu novas possibilidades”, resume.
Para sustentar essa formação, a BGAAT oferece acompanhamento fisioterapêutico, suporte nutricional e suplementação alimentar, além de participação em Jogos Escolares e competições dentro e fora do estado, caminho que, para alguns, leva ao alto rendimento e, para outros, se soma a uma formação de disciplina e convivência.
Um projeto que atravessa gerações
Em mais de 20 anos, o projeto já viu ex-alunos seguirem no esporte, chegarem à universidade e até voltarem como professores. Para o Professor Sivirino, essa é a maior conquista.
“Nem todos serão atletas profissionais, e esse nunca foi o único objetivo. Queremos que todos enxerguem possibilidades para a própria vida. Se o esporte abriu essa porta e a educação deu condições para segui-la, esse é o nosso maior resultado”, afirma.
“Conhecer o projeto e o Professor Sivirino mudou minha vida. Quando olho para trás, vejo que não foi só o atletismo, foi a disciplina, a educação, as pessoas que encontrei pelo caminho e a chance de acreditar que eu podia chegar mais longe”, concorda Francielly.

